Benefícios flexíveis

“Hoje não são as pessoas que perdem emprego, e sim o emprego é que perde as pessoas.” Quem disse isso foi o vice-presidente de Pessoas & Organização da Braskem, Marcelo Arantes de Carvalho, em uma entrevista à Amcham - Câmara Americana de Comércio Brasil-Estados Unidos. Uma realidade dessas parece distante, mas por acaso você nunca saiu de uma empresa para ir direto para outra ou testemunhou alguém nessa situação? Pensando nisso é que as empresas estão apostando forte na valorização dos profissionais, e um sistema alinhado a isso é o de benefícios flexíveis.

Desde a década de 1990, algumas empresas no Brasil estão inovando e deixando nas mãos dos funcionários a escolha dos benefícios que querem receber. Plano de saúde, auxílio-educação, creche, vale-refeição/alimentação são as opções comuns dos pacotes, que ainda podem incluir vale-cultura e combustível, academias e estéticas, previdência privada ou seguros. O mais interessante é que esse método permite que o colaborador escolha o que mais atenda o seu estilo de vida. Ainda assim, menos de 20% das empresas no Brasil adotam os benefícios flexíveis atualmente.

Necessidades do sistema

Assim como a maioria das inovações, é necessário certo esforço para colocar o sistema de benefícios flexíveis em prática. Segundo Ana Cláudia Bilhão Gomes, professora do curso de Gestão de Recursos Humanos da Unisinos, a empresa tem que ter uma equipe preparada para lidar com os fornecedores e administrar os pedidos de alteração no pacote por parte dos funcionários. Mas, mesmo com as dificuldades, vale a pena implementar o sistema.

“Se bem concebido e gerido, tanto a organização quanto os colaboradores ganham, pois a empresa investirá em benefícios atrativos e os colaboradores podem atender as necessidades a partir de seu momento de vida. É uma estratégia de recompensa que contribui para a retenção dos profissionais e a atração de talentos”, explica Ana Cláudia.

As definições dos pacotes

É a empresa que define o valor de cada pacote de benefícios flexíveis ou o que estará disponível para escolha nele. O sistema pode funcionar a partir de um valor em reais ou por pontos, normalmente definido pela faixa salarial, que podem ser alterados em um período determinado, anualmente ou semestralmente, de acordo com as regras da empresa.

Na GVT esse assunto é comum, já que, desde a criação da empresa, em 2000, o sistema de benefícios flexíveis faz parte da rotina. Cada funcionário tem uma pontuação que usa como preferir nas áreas de saúde, seguro de vida, complemento afastamento, odontologia e refeição. “Com os pontos, o funcionário escolhe um nível em cada área, com mais ou menos cobertura. Para equilibrar, pode escolher o nível mais básico em seguro e mais completo em saúde. Mas se quiser um nível completo em todas as áreas pode pagar a diferença, limitado a 30% do salário conforme a lei”, explica Andree Luciano Dias, Gerente de Remuneração e Benefícios da GVT.

Na empresa, que hoje tem 17,5 mil funcionários em todo o Brasil, o pacote de Benefícios Inteligentes é um diferencial durante os processos de seleção. Além disso, a autonomia conferida colabora para a motivação e a atratividade dos profissionais, e a empresa se torna uma referência no mercado. Contratar os benefícios individualmente aumenta muito o aproveitamento do investimento que é realizado, já que cada um valoriza o que mais vai aproveitar.

Legalmente, a empresa somente é obrigada a fornecer vale-transporte, a não ser quando o próprio funcionário dispensa o benefício. Quando recebe esse auxílio da empresa, ela só pode descontar do empregado até 6% do salário básico. Já em alimentação, mesmo não sendo uma obrigação, o limite de desconto é de 20% do que se gasta com o benefício. O mais importante é que o total de descontos em folha não ultrapasse 30% do valor líquido do salário, seja com os benefícios ou com empréstimos/financiamentos.

O futuro nas empresas

Se os benefícios flexíveis trazem vantagens para os funcionários e para as empresas, por que mais companhias não adotam esse sistema ainda? Porque envolve muito planejamento e gestão. Muito mais do que oferecer mais autonomia aos funcionários, é preciso garantir que o programa vai funcionar.

Para a professora Ana Cláudia, essa é uma estratégia de gestão de pessoas bem adequada ao contexto atual e que pode contribuir para a retenção de profissionais. “Hoje, as pessoas tem necessidade de se sentirem atendidas de forma personalizada, já que têm estilos de vida variados.” Segundo ela, a adoção dessa prática é muito válida, desde que o valor do pacote seja suficiente para atender as necessidades básicas do profissional. Para os próximos anos, a profissional acredita que, com a disputa pelos profissionais talentosos no mercado, a tendência é que mais empresas incluam esse benefício nas práticas da organização. Até lá, o que vale é pesquisar bastante tudo que a empresa oferece antes de se vincular a ela.

Dicas retiradas de: revista.penseempregos.com.br

Colaboração: Vania Marques

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